O meu amor tem um jeito manso que é só seu e que me deixa louca quando me beija a boca. A minha pele toda fica arrepiada, e me beija com calma e fundo, até minh’alma se sentir beijada. O meu amor tem um jeito manso que é só seu de me fazer rodeios, de me beijar o ventre e me deixar em brasa. Desfruta do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa (…) Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz. Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.
Vontade de sentir aquela coisinha misteriosa de “é esse!”. Como será sentir isso? Eu sempre sinto que “pode ser esse, ou talvez com algumas mudancinhas possa ser esse ou talvez se ele quisesse, poderia ser esse…”. Não, isso tá errado. Quero sentir que “é esse”.
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Me mande mentalmente coisas boas. Estou tendo uns dias difíceis, mas nada, nada de grave. Dias escuros sem sorrisos, sem risadas de verdade. Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade. Quando acordo, vejo que meus sonhos não passam disso, sonhos; e é assim que cada dia começa: desejando que não tivesse começado, desejando viver no mundo dos sonhos, ou transformar meu mundo real num lugar que eu possa viver, não sobreviver.
Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, mas pra você parece estar tudo bem.
Oi, amor. Supresa! Sei que isso deve parecer um pouco mórbido, mas detesto pensar que não estarei aí para ver você pirar por ter feito 30 anos. Quero morrer por não estar aí. Engraçado! Está bem. Não, não é. Vai ficar impressionada. Tenho um plano. Dá pra acreditar? Escrevi cartas pra você. Cartas que chegarão de tudo que é jeito. Pensei em esperar até seu aniversário, pois achei que não ia sair de casa por um tempo. A carta número um vai chegar amanhã. Você tem que fazer o que eu disser, certo? Certo? E não tente descobrir como as cartas chegam. É um plano inteligente e iria estragá-lo. Coopere comigo nessa. Porque a questão é que eu ainda não posso dizer adeus. Então para começar quero que você se arrume e saia para comemorar esta noite. Saia com suas amigas libero você de uma festa em família, sobretudo sua mãe. Puxa, sua mãe está aí, não está? Merda. Desculpe Patricia. Não é que eu não goste de você. Mas ela precisa fazer umas loucuras. Coma uma fatia de bolo, ponha seu vestido de festa e saia do apartamento. Denise planeje algo. Deixe-me com o John, está bem? Saiba que onde quer que eu esteja, estou com saudades. Feliz aniversário.
P.S.: Eu te amo.
Quando teus dedos ásperos tocaram-me o rosto úmido, recém-punido por lágrimas que mais pareciam punhais, eu quase disse tudo. Quase. Por um triz – tão triz que para muitos foi imperceptível – não segredei as agonias sufocadas no travesseiro, os gemidos de dor emudecidos pelos punhos, os cortes inexatos, despretensiosos, desleixados, nos fios assanhados. Porque sou eu quem passa a tesoura nos cabelos e deixa escoar pelo ralo o passado materializado em queratina. Por um fio – tão fio e fino que quase se rompeu ao toque do vento – não murmurei em tuas orelhas minhas versões dos contos, meus mistérios e livros descobertos e decorados durante as madrugadas de janeiro, minhas receitas e peraltices praticadas em mente. Porque minha mente possui três universos e eu me dôo – me tiro, me ardo, me atiro de cabeça, me enfaixo – em todos os três. Por um tico – tão tico que chegou a ser notado apenas por meus pulmões e pulsares acelerados – não entreguei o coração em tua palma.
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Amo quando você corresponde o meu olhar e até mesmo quando sabe que te olho, sorri e fica sem jeito. Amo quando sorri pra mim, mesmo que eu não diga nada. Amo quando diz eu te amo, mesmo sem intenção de receber um ‘eu também te amo’ em troca. Amo quando você me faz rir, mesmo quando eu quero desabar. Amo quando você está aqui do meu lado, mesmo que algum dia eu não estive do teu… A verdade é que, eu amo quando você permanece disposto a fazer tudo por mim e saiba que eu faria tudo e mais, bem mais, por você.
Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.